Por
seus Frutos
(Por:
João Eduardo Ornelas - Loja Simbólica Filhos de Hiran
Or:. De São Francisco do Glória MG)
É comum no meio maçônico dizer que determinada pessoa
sempre fora Maçom, mesmo antes de ter-se iniciado. Isto porque tal
indivíduo é detentor de qualidades e virtudes características
de um verdadeiro maçom. Mas quais são essas marcas que levam
alguém a ser considerado um maçom nato? Como se pode afirmar
tal coisa sem risco de se enganar?
O livro sagrado nos dá o caminho. Nele está escrito: "conhece-se
a árvore pelos frutos que produz. É impossível que uma
boa árvore produza maus frutos, assim como é impossível
á árvore ruim produzir bons frutos". Assim é o homem:
se dele advém boas coisas, atitudes corretas, gestos edificantes, ele
é como uma boa árvore que produz bons frutos. Se for o contrário,
se seu caráter for falho, por mais que tente mascarar sua personalidade,
não conseguirá: é uma árvore ruim, que produz
frutos ruins. O poeta e filósofo Emerson disse: "o que a pessoa
é na realidade paira sobre sua cabeça, e brada tão alto
que é impossível ouvir sua voz dizendo o contrário numa
vã tentativa de ludibriar os outros".
Quando o neófito encontra-se à porta do templo e é anunciado
, como um candidato a conhecer os Augustos Mistérios Maçônicos,
é perguntado como pode ele conceber tal propósito. A resposta
dada constitui-se na primeira característica necessária a um
Maçom nato: "Porque ele é livre e de bons costumes".
O homem livre é aquele capaz de oferecer-se como causa interna de seus
sentimentos, atitudes e ações, por não estar submetido
a poderes externos que o forcem e o constranjam a sentir, a fazer e a querer
o que quer que seja. A liberdade não é tanto o poder para escolher
entre várias possibilidades, mas o poder para auto determinar-se, dando
a sí mesmo regras de condutas. Portanto, somente é de fato livre,
aquele que é senhor de sí mesmo. O verdadeiro maçom,
sabe respeitar a liberdade alheia , conhece os limites entre o certo e o errado
e não se rende às paixões ignóbeis. Ele tem consciência
de que, como afirmou o filósofo Nietszche: "A ação
mais alta da vida livre, é nosso poder para avaliar os valores".
Ser de bons costumes equivale a dizer que ele um homem íntegro, que
tem sua conduta pautada em sólidos princípios éticos
e morais, que é um cidadão exemplar, cumpridor de seus deveres,
reto em seus compromissos, honesto em seus negócios, um bom pai de
família, respeitador e correto em todos os sentidos.
Na continuidade do processo de iniciação é perguntado
se o neófito encontra-se preparado para ingressar na Sublime Ordem.
Eis a resposta: "Sim, pois seu coração é sensível
ao bem". Temos aí a segunda marca de um legítimo Obreiro
da Humanidade: possuir um coração sensível ao bem.
O coração de um maçom não aceita as injustiças
e não compactua com o erro e a maldade. E mais do que isso, ele se
inquieta, se revolta e luta contra todo tipo de injustiça e opressão.
Ao longo de toda história da humanidade a Maçonaria tem-se empenhado
em duras batalhas contra a tirania o despotismo e o obscurantismo, sofrendo
com isso conseqüências dolorosas, perseguições implacáveis
que resultaram no flagelo e na morte de vários irmãos. Ela porém
jamais se curvou, jamais abriu mão de seus nobres ideais, nunca se
omitiu em sua missão altruística, em sua luta inglória
em favor da Liberdade, da Igualdade, e da Fraternidade.
Igualmente hoje quando o futuro da raça humana aponta para rumos incertos,
a influencia benéfica e restauradora da Maçonaria se faz necessária.
Num momento em que nossa pátria no olho de uma crise mundial passa
por momentos difíceis devido ao estado fragilizado de sua economia,
o que leva a muitos passarem apertos financeiros, está em voga a prática
do salve-se quem puder e do cada um por si. Muitos são os adeptos da
famigerada Lei de Gerson, onde o importante é levar vantagem em tudo.
Quando testemunhamos a importância e a natureza sagrada da família
sendo relegada a segundo plano por motivos fúteis, quando vemos as
drogas, a violência e todo tipo de criminalidade assolando a sociedade,
nós, os pedreiros livres, não podemos nos omitir.
Batalhas, embora não sangrentas como as da Antigüidade, mas igualmente
árduas, esperam por nossa ação. Não mais a espada,
mas nossa determinação, nosso exemplo, nossos propósitos
de aperfeiçoamento são nossas armas.
O juramento sagrado proferido pelo maçon com a mão direita sobre
o Livro da Lei (Bíblia Sagrada), é um compromisso assumido com
Deus , com os irmãos, mas sobretudo consigo mesmo, compromisso este
de, através do auto aperfeiçoamento, contribuir significativamente
para o aprimoramento de toda a humanidade.
Se ali se encontra um incauto, um dissimilado que equivocadamente foi levado
ao processo de iniciação, lamentavelmente tal pessoa não
passará de uma grande decepção. Com certeza, as exigências
das práticas maçônicas, pesadas ao fraco de caráter,
se encarregará com o tempo de excluí-lo da Maçonaria.
Mas se ao contrário, o homem postado diante do Altar dos Juramentos,
for da estirpe dos grandes homens, se trouxer consigo as marcas indeléveis
que caracterizam os verdadeiros maçons, estará o mundo ganhando
um lutador valioso, um guerreiro do Bem e da Justiça.
Quisera todos os homens livres e de bons costumes do planeta tivessem a mesma
oportunidade, para que no ambiente propício de uma oficina maçônica,
recebendo a inspiração da Filosofia ali difundida, pudessem
direcionar seus esforços de forma efetiva em prol da construção
de um mundo melhor.
O verdadeiro maçom sabe que não há melhor argumento que
sua própria vivência . Ele se impõe no seu ambiente influenciando-o
positivamente, não de forma arrogante ou arbitrária, mas por
sua conduta exemplar e inquestionável. Ele é enérgico
porém bondoso. Firme, porém humilde. Sua bondade e humildade
residem no fato de saber que, a despeito de num dado momento de sua vida maçônica
ser simbolicamente denominado mestre, na prática será sempre
aprendiz. Aprende-se a todo instante e de todas as formas. O Maçom
é o pedreiro de sí mesmo, e por mais que a obra esteja adiantada,
sempre faltará um retoque, pequeno que seja. E depois outro, outro,
e mais outro, assim infinitamente. Por mais que se saiba, por mais evoluído
que seja, sempre restará algo a aprender, novas lições
a assimilar. Na escola da vida não há formandos, ou formados,
apenas eternos alunos em busca do aperfeiçoamento.
Fixemo-nos pois, nas principais características que distinguem o verdadeiro
Maçom e não nos desvirtuemos de nosso objetivo maior. Mantenhamo-nos
livres e firmes na prática dos bons costumes, e que com o auxilio do
"Grande Arquiteto do Universo" nossos corações sejam
cada vez mais sensíveis ao bem.
E lembremo-nos sempre: " o que para o profano é um gesto meritório,
para o Maçom é um dever sagrado."
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