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Washington
Luís Pereira de Sousa, nascido em Macaé (RJ), em 1870, e
falecido em São Paulo, em 1957, foi político, historiador
e último presidente da chamada República Velha. Fez toda
a sua vida pública em São Paulo, sendo cognominado, por
isso, "o paulista de Macaé".
Bacharelado pela Faculdade de Direito de São Paulo, iniciou carreira,
como promotor público, em Barra Mansa (RJ), de onde foi para São
Paulo, passando a advogar. Ingressou na política como vereador,
em Batatais (SP) ; depois, seria, sucessivamente, deputado estadual, secretário
da Justiça, prefeito da Capital paulista e presidente do Estado
de S. Paulo, de 1920 a 1924.
Sua candidatura à presidência da República, para o
período 1926-1930, foi recebida com esperanças de pacificação,
depois da agitada gestão de Arthur Bernardes, que governara, praticamente,
sob estado de sítio. Eleito, ele libertou os prisioneiros políticos
--- a essa anistia não foi estranha a maçonaria brasileira,
através do Grande Oriente do Brasil (2) --- impulsionou a construção
de estradas de rodagem --- ficou famosa a sua frase : "Governar é
abrir estradas" --- e tentou aplicar uma reforma financeira, que
poderia significar o desafogo do país. Todavia, a crise de 1929,
com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, traria uma situação
caótica ao país, originando desemprego, falências
em série e queda catastrófica dos preços do café,
com o presidente recusando os auxílios financeiros exigidos pela
lavoura.
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40. A 17 de dezembro de
1926, cerca de 30 dias após a posse do presidente, um grupo de
membros da Assembléia Geral do Grande Oriente do Brasil propunha,
durante sessão ordinária daquele alto corpo, a seguinte
INDICAÇÃO:
"Attendendo a que a Instituição Maçonica, já
pela nobreza e elevação dos seus ideaes, já porque
nunca cessou de agir e de actuar em prol de uma situação
melhor e mais perfeita para a Humanidade, não póde deixar
de interessar-se pela solução dos grandes problemas politicos
e sociaes, que ora preoccupam e agitam os povos da quase totalidade da
superfície do globo terrestre;
E attendendo mais a que, em particular, no que diz respeito ao Brasil,
póde-se dizer, sem medo de errar ou incorrer em exagero de affirmação,
que á Maçonaria Brasileira coube sempre um papel salientissimo
na elaboração e desdobramento dos acontecimentos politicos,
dos quaes resultaram as mais bellas conquistas liberaes, que ainda registra
a historia do povo brasileiro, em um justo e legitimo anceio de independencia
e perfectibilidade;
Por outro lado, considerando que á situação anormal,
de profunda anarchia e agitação politica que, ha um quinquenio,
vem perturbando a vida da Nação e levando a intranquilidade
e a desolação ao seio da familia brasileira, não
se póde quedar indifferente, em uma passividade mussulmana, a acção
da Maçonaria Brasileira, sem desmentir o seu passado de glorias
ou trahir os principios em que se alicerça o monumento da sua destinação
historica;
Além disso, considerando que de todos os angulos do paiz, num brado
unisono, que é a propria voz da Patria, se exora, reclama, exige
e protesta contra os estado de inquietação de espiritos
e de asphyxia das liberdades publicas, de que, infelizmente, ainda não
se póde libertar a Nação, como si as trevas da noite,
iniciada em 5 de julho de 1922, parecesse eternisar-se.
Finalmente, considerando que qualquer attitude que porventura venha a
Maçonaria Brasileira a tomar no sentido de contribuir para a cessação
desse estado de coisas, com a pacificação geral do povo
brasileiro e a instauração das garantias constitucionaes,
terá de ser posta em pratica, energicamente, e sem perda de tempo,
para que não resulte meramente platonica ou simplesmente tardia;
Indicamos:
a) que a Sob.: Ass.: represente aos Poderes Publicos da Nação,
assim ao Presidente da Republica, como ao Congresso Nacional, sobre a
necessidade palpitante e inelutavel da decretação de uma
amnistia geral, que envolva e beneficie a todos os implicados nos ultimos
acontecimento politicos, sem distincção de classe ou situação
juridica, e bem assim sobre a conveniencia da suspensão do estado
de sitio, com o restabelecimento das garantias constitucionaes;
b) que deste seu acto dê a Sob.: Ass.: Ger.: conhecimento ao Sob.:
Gr.: Mestre.: e aos demais corpos e OOff.: da Federação,
para que cada qual, na esphera da sua actividade funccional, promova uma
acção convergente e efficaz, no sentido da realisação
e consecução de tão nobre e alevantado objectivo.
Sala das sessões da Sob.. Ass.: Ger.:, a 17 de Dezembro de 1926,
E.: V.: .
(ass.)
Francisco Prado, 7.: ; Gomes de Almeida, 7.: ; Deodoro Hermes, 7.: ; Eugênio
Pinheiro, 7.: ; Antonio D´Avila, 30.: ; Alberto Brigagão,
7.: ; Agenor Moreira, 7.: ; Henrique Pasqualette, 12.: ; Abilio Alvares,
30.: ; Raymundo Maria, 7.. ; Abelardo Albuquerque, 18.: ; Corrêa
Lopes, 30.: ; Octavio Baptista, 18.: ; Julio Moreira, 33.: ; John Bloomfield,
30.: ; Ildebrando Pinto, 30.: ; Djalma Reis, 18.: ; Jayme Mesquita, 30.:
; Adriano Monteiro, 7.: ; Mouço e Silva, 7.: ; Julio Diniz, 7..
; Silva Alves, 18.: ; Mario Bulhão, 7.: ; Drummond Alves, 13.:
; Constantin Hambour, 18.. ; Alcides Paiva, 18.: ; Costa Lamin, 30.: ;
Vilar Martins, 18.: " .
Apresentada a indicação, foi dispensado o parecer da
Comissão Central, porque ela fora assinada por três membros
dessa comissão. Submetida à votação, ela foi
aprovada. Diante disso, o presidente da sessão, Eugênio Pinheiro,
nomeou uma comissão para tratar do assunto, composta pelos Irmãos
Alberto Brigagão, Chapot Prévost, Mário Pinto, Francisco
Prado e Deodoro Hermes. Por solicitação de Raymundo Maria,
o próprio presidente foi incorporado à comissão,
enquanto Chapot Prévost, escusando-se de fazer parte dela, foi
substituído por Mário Bulhão.
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A política de valorização
do café, já antes da crise de 1929, encontrava adversários
até mesmo no Partido do presidente, o Partido Republicano Paulista,
que reunia a burguesia cafeeira de S. Paulo. Já houvera uma ala
dissidente, que fundara o Partido Democrático e que, após
o Convênio Cafeeiro de 1929, recebera o apoio do Partido Republicano
Mineiro. Estava armado, assim, o cenário da derrubada do PRP, baseada
nos anseios da classe dominante, não ligada à exportação
do café --- que desejava a mudança da política ---
e nos desejos da classe média --- que ansiava pela mudança
de homens. A classe média, junto com uma parte da pequena burguesia,
formava uma ala radical, que recebeu o nome de "tenentismo",
por ser apoiada e defendida por um grupo de tentes do Exército,
no qual se incluíam antigos comandantes do destacamento da Coluna
Prestes (comandada por Luís Carlos Prestes, o futuro líder
comunista).
Aproximadas as eleições
para a presidência, o PRP indicava, para a disputa, o ex-presidente
de S. Paulo, o maçom Júlio Prestes, deixando de lado dois
nomes de projeção nacional: Borges de Medeiros, ex-presidente
do Rio Grande do Sul e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente
de Minas. Este último passaria, então, à oposição,
estabelecendo, com o Rio Grande do Sul, uma coligação política
, denominada Aliança Liberal, que lançaria a chapa Getúlio
Vargas - João Pessoa, para combater a de Júlio Prestes -
Vital Soares.
Realizadas as eleições, a 1º de março de 1930,
vencia, como se esperava, a máquina eleitoral do PRP, tendo, em
ambos os lados, funcionado a fraude eleitoral. Da conspiração
da oposição, eclodiria a revolta, em Porto Alegre, a 3 de
outubro de 1930, culminando no golpe contra o governo constituído,
com a ascensão de Vargas ao governo e o início de quinze
longos anos de poder, a maior parte dos quais exercidos em odiosa ditadura.
Washington Luís era deposto, a 24 de outubro, e deportado. No exílio,
sempre manteve irrepreensível dignidade e austeridade, jamais comentando
a situação política do Brasil e fazendo-se, por isso,
respeitado por toda a nação. Só com a queda da ditadura
Vargas, em 1945, é que ele se dispôs a voltar ao país,
fazendo-o em 1947 e sendo festivamente acolhido no Rio e em S. Paulo.
Isolou-se, então, em São Paulo, até ao fim de sua
existência.
Embora não se saiba a data e o local de sua iniciação
maçônica, sabe-se que ele pertenceu à Loja "Filantropia
II", de Batatais (SP), da qual foi fundador e primeiro Venerável
Mestre. Em S. Paulo, fez parte, desde 1921, do quadro da Loja "União
Paulista", do Grande Oriente do Brasil, sendo, também, membro
honorário da Loja "Amizade".
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