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Nereu
de Oliveira Ramos, nascido em Lages (SC), em 1888, e falecido em 1958,
num acidente de avião, foi advogado e político.
Bacharelado pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1909, logo
depois ingressou na política, tendo participado das campanhas da
Reação Republicana, no governo de Epitácio Pessoa,
e da Aliança Nacional, que disputou as eleições de
1930, apoiando Vargas.
Depois do golpe de 1930, foi deputado à Constituinte de 1934 e
governador do Estado de Santa Catarina, em 1937. Apoiou o golpe do Estado
Novo, de 1937, e toda a ditadura de Vargas, permanecendo no governo até
à queda do ditador, em 1945. Foi fundador do Partido Social Democrático
e líder da maioria parlamentar, na Constituinte de 1946. Foi vice-presidente
da República, quando Dutra governava (1946-1951), presidente da
Câmara Federal e vice-presidente do Senado (1954). Na época,
o Senado era presidido pelo vice-presidente da República e, assim
sendo, o vice-presidente daquela casa legislativa era o terceiro, na linha
de sucessão presidencial, depois do vice e do presidente da Câmara
Federal.
Em 1954, o Brasil passava por um dos grandes traumas de sua História,
o qual proporcionaria uma grave crise política e institucional.
O então presidente Getúlio Vargas --- que voltara ao cargo
pelo voto do povo, em 1950, depois de ter sido deposto, em 1945 --- enfrentava
uma grave situação financeira do país e, em conseqüência,
o descontentamento popular, que fortaleceria a oposição,
temerosa de que um novo golpe de Estado estivesse em gestação.
Surgiam denúncias e mais denúncias de escândalos administrativos,
aproveitados pela oposição, à frente da qual se encontrava
o jornalista Carlos Lacerda, filho do político e maçom Maurício
de Lacerda. No dia 4 de agosto de 1954, Lacerda foi vítima de um
atentado a tiros, no qual foi morto um oficial da Aeronáutica,
major Rubens Vaz, tornando a situação extremamente grave,
pois o inquérito mostrou que o assassino era um áulico do
presidente e que havia um verdadeiro mar de lama nos porões do
Catete (então sede do governo, no Rio de Janeiro), capitaneado
por Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Vargas. Este,
sem poder contornar a crise, suicidava-se, a 25 de agosto, com um tiro
no coração (suicídio ainda pouco explicado).
Assumindo em meio à crise, o vice-presidente Café Filho
presidiu à eleição do novo presidente, Juscelino
Kubitschek de Oliveira, tendo, como vice, João Goulart. O resultado
da eleição gerou descontentamento e criou-se uma situação
delicada, agravada pela doença do presidente, obrigado a transmitir
o cargo ao presidente da Câmara, Carlos Luz. Este, inabilmente,
aumentou a tensão, ao substituir o ministro da Guerra, gal. Henrique
Duffles Teixeira Lott, após um incidente gerado pela punição
disciplinar do coronel Jurandir Mamede, que havia feito declarações
políticas. Ao nomear um general reformado, como substituto de Lott,
provocou o movimento que foi chamado de "anti-golpe", ou de
"retorno aos quadros constitucionais vigentes", quando tanto
Carlos Luz quanto Café Filho foram impedidos, pelo Congresso Nacional,
para o exercício da presidência. Foi, então, chamado,
em novembro de 1955, a ocupar o cargo de presidente, o vice-presidente
do Senado, Nereu Ramos, que comandou a pacífica transição
de governo e deu posse a Juscelino, a 31 de janeiro de 1956.
Nereu foi iniciado maçom a 6 de fevereiro de 1918, através
da Loja "Ordem e Trabalho", de Florianópolis (SC) e do
Grande Oriente do Brasil, fundada a 13 de agosto de 1902. Foi diversas
vezes Venerável Mestre (presidente) dessa Loja, tendo feito parte,
também, do quadro da "Regeneração Catarinense",
de Florianópolis (fundada a 2 de abril de 1860) e também
do Grande Oriente do Brasil.
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