Autoridades
maçônicas, meus Irmãos
Freqüentemente, ao visitarmos as Lojas em nossas jurisdições,
somos inquiridos a respeito das eventuais providências que a
Maçonaria tem tomado, diante das questões de interesse
nacional. Sejam essas questões de caráter político,
econômico, social, etc.
Diante desses questionamentos, tenho insistido, sem fazer jogo de
palavras, que a Maçonaria somos todos nós e tenho devolvido
a abordagem, com a seguinte pergunta: O que temos feito, diante
das constatações de tantas irregularidades que exigem
as nossas providências?
Soberano
Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Irmão
Marcos José da Silva, demais autoridades maçônicas,
meus estimados Irmãos, longe da presunção de
ser o descobridor da fórmula mágica, que indicaria o
caminho para que possamos ocupar o espaço social, no contexto
de nossa história contemporânea, eu ousaria afirmar duas
coisas.
A primeira é que, em nosso país, ser um Obreiro - na
acepção literal deste vocábulo é
muito mais fácil do que se imagina. A seara que nos espera,
no cenário de tantas desigualdades sociais, nos oferece inúmeras
oportunidades de empreendimentos, onde poderemos aplicar o que aprendemos
na militância das Lojas, escolas de nossa Sublime Instituição.
O mineiro Demóstenes Romano Filho, no livro Gente cuidando
das Águas, escrito em parceria com Patrícia Sartini
e Margarida Maria Ferreira, referindo-se ao voluntariado, cita alguns
conceitos sobre esse tipo de colaborador e, entre outros, afirma:
O voluntário, como ator social e agente de transformação,
é aquele que presta serviços não remunerados
em benefício de alguma causa social e que, ao aplicar tempo
e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pelo seu impulso solidário,
atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos
da causa, como as suas próprias motivações pessoais,
sejam elas de caráter religioso, cultural, filosófico,
político ou emocional.
Qualquer semelhança, não será mera coincidência,
quando se trata do maçom. O nosso constante voluntariado é
isso e muito mais, porque há muito o que fazer.
A segunda, meus queridos Irmãos, é a necessidade de
nos prepararmos convenientemente, para enfrentar esse desafio.
A constatação, que exige nossa imediata mudança
de paradigmas é que, se temos Obreiros bem intencionados, ávidos
por trabalhar, infelizmente, a nossa deficiência do fator Qualidade
impede, constantemente, esse desiderato. Embora esta assertiva possa
ser agressiva, desconsertante, desanimadora ou incômoda, ela
é real.
A exemplo do que acontece lá fora, no mundo chamado profano,
com a falta de segurança e com a saúde públicas,
extremamente deficientes, por analogia acontece dentro de nossas Lojas.
Explicando melhor meu ponto de vista, em nosso país, a falta
de uma política objetiva e séria para com a educação,
com certeza é a principal responsável pelas mazelas
que vivemos, com a segurança e com a saúde públicas.
Por um lado, temos, em sua maioria, a qualidade questionável
da nossa educação pública, comprovada em escolas
sem infra-estrutura. São escolas que têm professores
sobrevivendo com salários aviltantes, pressionados pelo comportamento
de verdadeiros marginais, de alunos que os agridem até fisicamente
e por pais que querem transferir à escola, a responsabilidade
que lhes cabe, em família. Por outro lado estão os estabelecimentos
particulares de ensino. Lá, ressalvadas poucas exceções,
são empresas que agem como verdadeiros caça-níqueis.
São instituições que não têm outro
objetivo senão o lucro rápido e fácil, como qualquer
outro estabelecimento mercantil.
Voltando às nossas Lojas, constristados observamos que nos
falta, igualmente, uma boa educação. Uma educação
que nos oriente quanto à qualidade daqueles que estamos trazendo
para nossa Ordem. Uma educação que nos oriente quanto
à sindicância adequada. Esse mesmo cidadão, uma
vez iniciado, obrigatoriamente nos traz a responsabilidade de transferirmos
a ele, instruções que o habilitem ao conhecimento e
interpretação de nossas leis, regimentos e posturas
ritualísticas corretas. Essa, meus Irmãos, é
a educação que falta na maioria de nossas Lojas. Por
justiça, continuo ressalvando as honrosas exceções.
Talvez esteja na mente de alguns Obreiros, a pergunta: Porquê
estas colocações em uma Sessão Magna de Posse?
Estas colocações, meus queridos Irmãos, são
para lembrar a todos nós a responsabilidade que nos cabe e
que freqüentemente nos incomoda com o questionamento citado no
início deste discurso: O que temos feito, diante das
constatações de tantas irregularidades, que exigem as
nossas providências?. Quase todos aqui conhecem o provérbio
chinês: Antes de tentarmos consertar o mundo, temos que
varrer a nossa casa.
Nós, os dirigentes maçônicos, estejamos como Grão-Mestres,
Presidentes de Tribunais, Juízes, Grandes Procuradores, Presidentes
de Assembléias, Deputados, Conselheiros, etc., temos um desafio.
Estejamos no cumprimento de nossas missões maçônicas,
trabalhando pelo GRANDE ORIENTE DO BRASIL, nas esferas estaduais ou
na esfera federal, temos a mesma responsabilidade. E essa responsabilidade
é a utilização de nossa liderança, para
mudarmos o status quo de nossa Obediência, trabalhando pela
qualidade de nossos Obreiros, com um projeto de melhor educação
a ser transmitida a eles, em nossas Oficinas.
Antes de cobrarmos do Soberano Grão-Mestre Geral e do Sapientíssimo
Grão-Mestre Geral Adjunto, vamos elaborar sugestões
a serem encaminhadas às nossas autoridades maiores.
Na Congregação dos Grão-Mestres do GOB da Região
Nordeste, sob a presidência do Soberano Irmão Laelso
Rodrigues, realizada em Recife, no dia 24 de maio p.passado, foram
aprovadas, entre outras, as seguintes proposições: a)
Que o GOB viabilize material didático para formação
básica do aprendiz maçom e b) Que o GOB promova estudos,
com o objetivo de criar um programa de expansão da Maçonaria
na sociedade contemporânea.
Além de sugestões semelhantes, vamos começar
esse trabalho em nossas Lojas. A Loja é a célula mater,
da nossa federação maçônica e é
lá que devemos começar nossa virada de mesa. É
lá que temos que começar a varrição, como
nos lembra o adágio chinês.
Devemos hipotecar o nosso irrestrito apoio à conquista de novos
conceitos e ao fortalecimento de nossa Sublime Ordem.
Cabe frisar que não podemos nos iludir, pensando que o Grão-Mestre
Geral ou seu Adjunto podem resolver todos os nossos problemas. Tenhamos
em mente, que a verdadeira revolução na nossa Instituição
nascerá da convergência de propósitos construtivos
e no abandono total das vaidades, futilidades e falta de objetivos
que, às vezes, tomam formas iconoclastas. Precisamos manter
viva a chama da comunhão de princípios e ideais puramente
maçônicos.
Neste dia festivo, vamos fazer, silenciosamente, para com os nossos
novos líderes maiores, hoje empossados, o compromisso de uma
tarefa reconhecidamente árdua: quebrar conceitos arcaicos,
abandonar esse peso morto que desgraçadamente nos retém
neste imobilismo indesejável. A nossa Sublime Instituição,
que tem tanto a oferecer ao nosso país, merece este nosso compromisso
de trabalho.
Finalizando, rogo ao GADU que direcione Suas bênçãos
aos nossos novos dirigentes, para que eles possam conduzir o GOB com
a pureza da alma e com o maior espírito de fraternidade e de
justiça. E que todos nós, irmanados nesta corrente,
possamos reforçar esta sublime súplica.
Que assim Deus nos atenda. Assim seja.
Amintas
de Araújo Xavier
Grão Mestre do GOB-MG